Quarta-feira, Julho 01, 2009

É disso que são feitos os sonhos



Em 1990, eu estava no primeiro ano da colegial quando Arquivo X começou. Onde eu morava nem mesmo passava a série porque o sinal da Rede Record não chegava na cidade onde eu morava. Parabólica era algo que eu via nos filmes e nem me passava pela cabeça comprar algo do tipo porque era caríssimo. Para se ter uma idéia, eu vendi um monte de pastéis pra vir fazer a prova do Vestibular em Pernambuco. Nasci aqui, cresci fora do Estado e acabei voltando porque lá não existia a faculdade que eu queria.

Então eu fui morar em Recife, algo que eu passei a vida sonhando. Se eu imaginasse que seria tão feliz fora de Recife, talvez nunca tivesse saído de cidade onde cresci. De qualquer modo, em Pernambuco tinha Record. Arquivo X me fez aceitar meu sobrenome e minha esquisitice. A Dra Scully confirmou que ciência é o começo e o fim. Mulder provou que fé em algo é o meio. A verdade estava em algum ponto entre tudo isso.

A série me fez conhecer gente boa, estabelecer um contato com meus familiares mais próximos e graças àqueles agentes do FBI, eu conheci Vicky e Fernanda, comecei um blog e eu tenho o registro exato do dia em que tive contato com primeira história de Arquivo X: era dia de eleição e eu levei a novelização do 'Piloto' da série pra ler na fila de votação.

Eu nunca mais fui a mesma pessoa.

Arquivo X foi a primeira série em que o público REALMENTE decidiu o que deveria acontecer. Chris Carter não queria o envolvimento romântico entre Mulder e Scully, nós shippers queríamos, combatemos os noromos de plantão e olha aí William Scully pra provar isso (tinha que ser um William, né?). O primeiro DVD que eu ganhei continha o episódio final duplo que encerrou a nona e última temporada e incluía 'William', o episódio onde Scully abria mão do filho para deixá-lo longe dos híbridos alienígenas.

(Claro, eu só tive um DVD player cinco ou seis anos depois, mais isso não vem ao caso)

Eu descobri que existiam outros sonhadores como eu, gente que cria as próprias histórias com os personagens prediletos. Naquela época a internet era menor e quem tinha acesso aos fóruns, discutia do corte de cabelo de Mulder às teorias de conspiração do governo dentro do governo. Teve gente abençoada que conseguiu conhecer pessoalmente os escritores de AX e existe pelo menos um episódio escrito por um eXcer! Mais de um personagem com nome de eXcer, na verdade.

Até hoje, eu vejo o nome de Ron Howard nos filmes, de Mark Snow em Smallville (tá, o William B. Davis também apareceu em Smallville), reconheci o ator que fez Eugene Tooms no 'Stalker' de CSI (eu sei, Scully também fazia perícia, eu gosto de ciência, certo?) e continuo sustentando que Arquivo X abriu caminho pras séries de criminalística e de aventuras paranormais. CSI, Bones, Without a Trace, Cold Case, tudo me lembra Arquivo X.

Desde então, eu só tive outro amor, mas continuo fiel a quem abriu meus olhos para o mundo. Hoje em dia, a internet me permite saber tudo sobre CSI e eu vi e revi cada um dos mais de 200 episódios das nove temporadas. Nunca pude fazer isso até hoje com Arquivo X.

Dá licença que eu vou começar.

Terça-feira, Junho 30, 2009

'I will be chasing a starlight until the end of my life'

Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando não percebi 'Starlight' quando ouvi 'Black Holes ans Revelations' do Muse. Teclando com Vicky, ela contou que quando Mathew Belami (é assim que se escreve, Vi?) começar a tocar 'Starlight' no show, ela não responde por si. Assino embaixo!

Far away/ This ship has taken me far away/ Far away from the memories/ Of the people who care if I live or die

THE Starlight/ I will be chasing a starlight/ Until the end of my life/ I don't know if it's worth it anymore

Hold you in my arms/ I just wanted to hold you in my arms

My life/ You electrify my life/ Let's conspire to ignite/ All the souls that would die just to feel alive

I'll never let you go/ If you promise not to fade away/ Never fade away

Our hopes and expectations/ Black holes and revelations/ Our hopes and expectations/ Black holes and revelations

Hold you in my arms/ I just wanted to hold you in my arms

Far away/ This ship has taken me far away/ Far away from the memories/ Of the people who care if I live or die

I'll never let you go/ If you promise not to fade away/ Never fade away

Our hopes and expectations/ Black holes and revelations/ Our hopes and expectations
Black holes and revelations

Hold you in my arms/ I just wanted to hold you in my arms/ I just wanted to hold


A propósito, passei a gostar do CD inteiro. Como gosto pode mudar de um mês pra outro! Eu respeitei quando soube que a série 'Crepúsculo' foi escrita ao som de Muse, mas só gostava de 'Unintended' naquela época porque é A canção GSR perfeita. Depois 'Invicible' entrou na lista (também por causa de Grissom e Sara), Vicky falou de 'Butterflies e Hurricanes' e eis mais uma fã do Muse. Vejamos se eu fico rica como Meyer escrevendo ao som deles.

***
Na verdade, anônimo leitor, eu não estou me importando muito se terei um público fiel. Veja que eu não tenho contador de acessos aqui. Sei que quase ninguém comenta, mas muita gente poderia acessar, certo? Não quero saber. Não escrevo nem faço mais nada esperando a opinião alheia favorável à minha pessoa. Muito Fal, eu sei.

Falar em Fal é lembrar de Suzi, que citou Picasso muito propriamente um dia desses: "Nunca fiz nada pra agradar ao público, não vou começar depois de velho". Coisa de artista? talvez, mas eu lembro que Fal é uma escritora bem sucedida, Suzi é uma designer fantástica de bijoux e nem vou dizer quem era Picasso (embora não seja meu estilo de pintura)


'I will be chasing a starlight/ Until the end of my life...'

Domingo, Junho 21, 2009

No WMP

Segundo Paula Toller, 'Nerds gostam de ficção científica e quadrinhos porque não se relacionam com o mundo real, e sim com o futuro que projetam'. Tá, e os geeks dever ser ainda piores, certo?

(Falar em geek me dá um aperto no coração. Saudade de Grissom. *suspiro*)

Recomendadíssimo: 'Nosso', da Paula Toller. Ainda não escolhi minha faixa predileta, mas no espírito do dia, aí vai:

'Eu quero ir pra rua'

Eu vou à cidade hoje à tarde
Tomar um chá de realidade e aventura
Porque eu quero ir pra rua
Eu quero ir pra rua
Tomar a rua

Não mais
Não mais aquela paúra
De ser encarcerada pra ficar segura

Já cansei de me trancar
Vou me atirar
Já cansei de me prender
Quero aparecer
Aparecer, aparecer

Eu sou da cidade e a cidade é minha
Na contramão do surto de agorafobia
Agora eu quero ir pra rua
Porque eu quero, quero ir pra rua

Levar
A dura de cada dia
Sair da minha laia, chegar na sua

Eu vou à cidade sem compromisso
Tomar um chá, um chá de sumiço no olho da rua
Porque eu quero ir pra rua
Eu só quero ir pra rua
Olhar a rua

Tomar, bem que se podia, ar fresco
Topar Banksy a pintar afrescos

Já cansei de me trancar
Vou me atirar
Já cansei de me prender
Quero aparecer
Aparecer, aparecer, desaparecer ...


Quem encontrar o texto em francês lido pelo backvocal, eu agradeço! Não está nem no site oficial. :(

Ah, porque...



'The temptress', by Jack Vettriano

(Precisa por quê? Tá, em homenagem a 'Glass', que música tão linda!)

Terça-feira, Junho 16, 2009

Idéia Genial

Eu me lembro da primeira vez que li sobre como conviver com deficientes. Era um cartaz, afixado na parede de uma clínica pública onde fui fazer um exame. Explicava que a cadeira de rodas é uma extensão da pessoa, que dizer 'ver' e 'enxergar' diante de um deficiente visual não é ofensa, que quem não escuta precisa ver seus lábios, etc. Eu tinha uns onze ou doze anos e não me ensinaram isso na escola.

Eu sei que muita coisa não se aprende na escola, mas a minha escola tem um curso técnico de Economia Doméstica e 'Etiqueta' é matéria obrigatória. Na minha época de aluna, o máximo de atenção que se deu ao assunto foi avisar que não é deselegante um canhoto inverter o uso dos talheres e a posição dos copos. Talvez tenham falado mais que isso e eu não prestei atenção, mas acho improvável. Minha nota foi alta na matéria. Posso ter esquecido desde então e lembrar justamente disso porque sou canhota.

De lá pra cá, eu convivi com muitos deficientes e aquele cartaz me ajudou (muito!). Trabalhei num colégio que dá aulas de diversos esportes para deficientes e era referência no Estado de Pernambuco. Eles faziam piadas incríveis como na vez em que examinei toda a equipe de natação (composta de deficiente visuais): 'Doutora, pode examinar todo mundo ao mesmo tempo. Ninguém vai olhar'. Era um exame dermatológico e eu ri durante toda a consulta. Até hoje me lembro de como esses deficientes físicos e mentais se mostravam à vontade com suas limitações.

O que eu não conseguia achar era literatura ensinando COMO conviver com eles. Comecei a estudar LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) há pouco por causa de três pacientes meus, irmãos, que dependem de uma intérprete para consultas. Na faculdade, vi um paciente cardíaco que não sabia ler nem escrever, nem sabia LIBRAS. A própria família não se comunicava adequadamente com ele. Imagine colher uma história médica assim!

Numa outra ocasião, atendi uma deficiente auditiva, grávida e abortando após uma queda. A mãe saiu pra conseguir um transporte, a emergência estava um caos e só depois da expulsão do feto eu percebi os desenhos na camisa dela, indicando palavras com mãozinhas. Na época, eu sabia um pouco (muito pouco) da LIBRAS e sinalizei 'Você fala?'. Ela disse 'Sim'. Saí correndo atrás do cartão com o alfabeto manual e pedi pra batizar a criança, que estava morrendo. Foi minha máxima comunicação com um deficiente auditivo. A mãe dela voltou e comentou 'É, ela sabe fazer uns sinais pra falar com a professora'.

Onde moro, há um colégio que dá aula da LIBRAS. Estou esperando abrir uma turma e enquanto isso, encontrei algumas apostilas nas bancas pro caso de aparecer outro paciente (aqueles irmãos moram na antiga área que eu trabalhava). Sei que a maioria das pessoas não convive rotineiramente com deficientes, mas todo mundo conhece alguém, já viu alguém ou sabe de alguém que conhece um deficiente. Se você vai receber um deficiente em casa, agora existe um livro em português orientando como fazê-los sem gafes: “Vai Encarar? A nação (quase) invisível de pessoas com deficiência”, de Cláudia Matarazzo. Não li ainda, mas já estou indicando.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

'Existo porque insisto'

Li isso no Balaio Porreta, em 'Frases de caminhão'. Eu poderia parafrasear o gênio que escreveu isso e o filósofo Descartes na seguinte frase: 'Insisto, logo existo'. A recíproca também é verdadeira.

De fato, a insistência e a persistência andam de mãos dadas. É certo que existe uma linha muito tênue entre persistência e teimosia, mas fazer o quê? Cada dia me traz uma revelação, um sinal que não estou tão só nesse mundo. Acabo de descobrir William Faulkner e a vida ficou maior. Não era só Sidney Sheldon que falava com os personagens, sabe? Charles Dickens também. Faulkner baseou-se em pessoas e lugares reais para criar seu mundo imaginário e ganhou um Nobel de Literatura com isso.

Acho que está na hora de começar algo pro resto do mundo ler.

***
Eu indico: Ofício Literário. Para aspirantes a escritores, solitários que escrevem para si e autores publicados (nem que seja na internet). Eis um exemplo:

Decálogo do perfeito contista
In Conto on 27/11/2007 at 19:56
De Horacio Quiroga

I – Crê em um mestre – Poe, Maupassant, Kipling, Tchecov – como em Deus.

II – Crê que tua arte é um cume inacessível. Não sonhes alcançá-la. Quando puderes fazê-lo, conseguirás sem ao menos perceber.

III – Resiste o quando puderes à imitação, mas imite se a demanda for demasiado forte. Mais que nenhuma outra coisa, o desenvolvimento da personalidade requer muita paciência.

IV – Tem fé cega não em tua capacidade para o triunfo, mas no ardor com que o desejas. Ama tua arte como à tua namorada, de todo o coração.

V – Não comeces a escrever sem saber desde a primeira linha aonde queres chegar. Em um conto bem-feito, as três primeiras linhas têm quase a mesma importância das três últimas.

VI – Se quiseres expressar com exatidão esta circunstância: “Desde o rio soprava o vento frio”, não há na língua humana mais palavras que as apontadas para expressá-la. Uma vez dono de tuas palavras, não te preocupes em observar se apresentam consonância ou dissonância entre si.

VII – Não adjetives sem necessidade. Inúteis serão quantos apêndices coloridos aderires a um substantivo fraco. Se encontrares o perfeito, somente ele terá uma cor incomparável. Mas é preciso encontrá-lo.

VIII – Pega teus personagens pela mão e conduza-os firmemente até o fim, sem ver nada além do caminho que traçastes para eles. Não te distraias vendo o que a eles não importa ver. Não abuses do leitor. Um conto é um romance do qual se retirou as aparas. Tenha isso como uma verdade absoluta, ainda que não o seja.

IX – Não escrevas sob domínio da emoção. Deixe-a morrer e evoque-a em seguida. Se fores então capaz de revivê-la tal qual a sentiu, terás alcançado na arte a metade do caminho.

X – Não penses em teus amigos ao escrever, nem na impressão que causará tua história. Escreva como se teu relato não interessasse a mais ninguém senão ao pequeno mundo de teus personagens, dos quais poderias ter sido um. Não há outro modo de dar vida ao conto.

Este decálogo foi publicado em julho de 1927, na revista argentina Babel. No Brasil foi reproduzido num belo livrinho (Horacio Quiroga: decálogo do perfeito contista. São Leopoldo: UNISINOS, 1999), em que dez contistas brasileiros renomados se arriscam a comentar e decifrar as intenções do mestre, entre os quais Charles Kiefer, Hélio Pólvora, Roberto Gomes e Sônia Coutinho.

Terça-feira, Junho 09, 2009

Por e-mail

Leia o que Oprah Winfrey tem a dizer sobre os homens:

-Se um homem quer você, nada pode mantê-lo longe.
-Se ele não te quer, nada pode faze-lo ficar.
-Pare de dar desculpas (de arranjar justificativas) para um homem e seu comportamento.
-Permita que sua intuição (ou espírito) te proteja das mágoas.
- Para de tentar se modificar para uma relação que não tem que acontecer.
-Mais devagar é melhor. Nunca dedique sua vida a um homem antes que você encontre o que realmente te faz feliz.
-Se uma relação terminar porque o homem não te tratou como você merecia, "foda-se, mande pro inferno, esquece!", vocês não podem "ser amigos". Um amigo não destrataria outro amigo.
-Não conserte.
-Se você sente que ele está te enrolando, provavelmente é porque ele está mesmo. Não continue (a relação) porque você acha que "ela vai melhorar"
-Você vai se chatear daqui um ano por continuar a relação quando as coisas ainda não estiverem melhores.
-A única pessoa que você pode controlar em uma relação é você mesma.
-Evite homens que têm um monte de filhos, e de um monte de mulheres diferentes. Ele não casou com elas quando elas ficaram grávidas, então, porque ele te trataria diferente?
-Sempre tenha seu próprio círculo de amizade, separadamente do dele.
-Coloque limites no modo como um homem te trata. Se algo te irritar, faça um escândalo.
-Nunca deixe um homem saber de tudo. Mais tarde ele usará isso contra você.
-Você não pode mudar o comportamento de um homem. A mudança vem de dentro.
-Nunca o deixe sentir que ele é mais importante que você... mesmo se ele tiver um maior grau de escolaridade ou um emprego melhor.
-Não o torne um semi-deus.
-Ele é um homem, nada além ou aquém disso.
-Nunca deixe um homem definir quem você é.
-Nunca pegue o homem de alguém emprestado..
-Se ele traiu alguém com você, ele te trairá.
-Um homem vai te tratar do jeito que você permita que ele te trate.
-Todos os homens NÃO são cachorros.
-Você não deve ser a única a fazer tudo... compromisso é uma via de mão dupla.
-Você precisa de tempo para se cuidar entre as relações. não há nada precioso quanto viajar. veja as suas questões antes de um novo relacionamento.
-Você nunca deve olhar para alguém sentindo que a pessoa irá te completar... uma relação consiste de dois indivíduos completos.. procure alguém que irá te complementar.. não suplementar.
-Namorar é bacana. mesmo se ele não for o esperado Sr. Correto.
-Faça-o sentir falta de você algumas vezes... quando um homem sempre sabe que você está lá, e que você está sempre disponível para ele - ele se acha...
-Nunca se mude para a casa da mãe dele. Nunca seja cúmplice (co-assine) de um homem.
-Não se comprometa completamente com um homem que não te dá tudo o que você precisa. Mantenha-o em seu radar, mas conheça outros...
-Compartilhe isso com outras mulheres e homens (de modo que eles saibam). você fará alguém sorrir, outros repensarem sobre as escolhas, e outras mulheres se prepararem.
-Dizem que se gasta um minuto para encontrar alguém especial, uma hora para apreciar esse alguém, um dia para amá-lo e uma vida inteira para esquecê-lo.
-O medo de ficar sozinha faz que várias mulheres permaneçam em relações que são abusivas e lesivas: Dr. Phill
-Você deve saber que você é a melhor coisa que pode acontecer para alguém e se um homem te destrata, é ele que vai perder uma coisa boa.
-Se ele ficou atraído por você à primeira vista, saiba que ele não foi o único.
-Todos eles estão te olhando, então você tem várias opções. Faça a escolha certa.

Ladies, cuidem bem de seus corações... "



'Long time Gone', by Jack Vettriano.

Do Balaio Porreta

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS UNIVERSAIS DA MULHER
Ilma Fontes
[ in Saciedade dos Poetas Vivos/VIII & Blocos ]

Toda mulher tem o direito de pensar por si mesma
sem precisar concordar com tudo que já foi dito.
Toda mulher tem o direito de menstruar em paz
sem precisar dar explicações a ninguém.
Toda mulher tem o direito de ser alguém, com idéias próprias
e ser dona do seu destino e do seu silêncio.
Toda mulher tem o direito de dizer bobagens e cometer erros
sucessivos até acertar, na poesia ou na vida.
Toda mulher tem o direito a comer o pão que o diabo amassou
desde que seja por amor.
Toda mulher tem o direito de ser querida, ao menos uma vez na vida
e de ouvir “eu te amo”, mesmo que seja mentira.
Toda mulher tem o direito de tentar e realizar, querer e fazer,
casar e descasar, experimentar e ousar.
Toda mulher tem o direito de decidir se tem ou não um filho
Principalmente antes de fazê-lo.
Toda mulher tem o direito pleno e absoluto do seu corpo
podendo inclusive envelhecer com ou sem cirurgia plástica.
Toda mulher tem o direito aos seus cabelos brancos,
mesmo que os pinte.
Toda mulher tem direito a ter medo de cobra, aranha,
barata, rato e fotógrafos.
Toda mulher tem direito ao recato de não precisar
expor seus segredos.
Toda mulher tem direito a ter segredos.
Toda mulher tem o direito de dizer Não, seja ao marido,
à amiga ou ao patrão.
Toda mulher tem direito a ter um caso de amor,
seja lá com quem for.
Toda mulher tem direito a gostar de seda e cetim,
de vinho, whisky, vodka ou gim.
Toda mulher tem direito a uns quilinhos a mais nos quadris.
Toda mulher tem direito a “fechar” o trânsito,
desde que seja funcionária do Detran.
Toda mulher tem direito a gastar mais do que pode, uma vez por ano.
Toda mulher tem direito a férias de si mesma, para o seu próprio bem
e dos outros também.
Toda mulher tem direito a uma cama macia, em boa companhia,
seja de noite ou de dia.
Toda mulher tem o direito de sonhar.
Toda mulher tem o direito de ser única.
Revogam-se as disposições em contrário.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Honestidade

Finalmente eu assinei meu contrato de prestação de serviços com a prefeitura do município onde estou trabalhando. Pela primeira vez, em oito anos de PSF, eu vi escrito que o contrato não me dá direito a nada e que eu posso sair quando quiser, sem pegar uma multa. Preto no branco. Sem direito a direitos trabalhistas e mantida com aquele salário por causa do Governo Federal que repassa a verba.

Eu já sabia disso, mas muitos dos meus colegas não sabem. As pessoas ainda não acreditam quando eu digo que minha carteira de trabalho nunca foi assinada e que u não tenho direitos. Aquele deputado descobriu a América ao constatar que 80% dos vínculos empregatícios na área médica são assim. Pelo menos esse município avisa claramente, não faz como certa prefeitura onde trabalhei quando recém-formada. 'Poderão ser atribuídos ao contratado os mesmos direitos dos funcionários concursados em cargo igual ou equivalente' significou receber os direitos enquano a secretária de saúde era uma profissional de saúde decente. Quando ela foi demitida e colocaram alguém da família do prefeito, deixamos de ter os mesmos direitos.

Não, anônimo leitor, não tente entender. Meu sindicato começou a se mexer no ano passado porque chegamos ao limite. Se você tem alguém que pensa em fazer Medicina, eu recomendo que a pessoa leia o antigo blog e os posts desse aqui, com o marcador 'ser médica'. Não pretendo desestimular, mas não quero que ninguém quebre a cara, imaginando que as pessoas ainda respeitam a nobre arte. Bom, algumas ainda respeitam, mas são poucas.

(Quando o sindicato resolver a questão dos vínculos empregatícios, eu acerto as contas com eles. Na época do contrato onde estava escrito 'poderão', eles nem se mexeram.)

Saudades

“Em última análise, parece-me que deviamos ler apenas livros que nos mordam e firam. Se o livro que estamos a ler não nos desperta violentamente como uma pancada na cabeça para que nós havemos de nos dar o trabalho de o ler? Um livro tem que ser como a picareta para o mar gelado dentro de nós. É isto que penso.”

(Franz Kafka em Carta a Pollak)

***
Fal citou este comentário e eu assino embaixo! Meu querido e muito amado 'O Leitor' não durou duas semanas em minha mão. Foi o segundo livro que eu perdi na vida e estou louca de saudades dele. Gostei tanto que não tive temo de arranjar lugar na estante para ele: morou em minha bolsa até o dia de nossa separação.

Preciso desesperadamente de outro (e já ia comprar um pra quem me indicou o filme), porque é um livro que morde e fere, e certamente me despertou violentamente. De lembrança, ficou o marcador de Suzi, que espera paciente minha próxima ida ao Recife para se aninhar nas páginas do irmão gêmeo do livro amado.

Espero que esteja alegrando a vida de quem o encontrou ou que tenham entregue em alguma biblioteca. Aquele livro merece.

***
Aliás, adorei esse outro blog da Fal.

(Onde essa mulher arranja tempo, Deus? onde ela compra tempo aceitam aquele cartão de crédito que eu só uso em situações especiais?)

Citando a mesma (o grifo é meu):
'Acho sim, que a gente paga um preço alto demais (hahaha, olha eu me botando na sua turma, como se à sua altura estivesse), acho mesmo, mas a consciência, Lyrão e eu chegamos a esta conclusão, é um caminho sem volta. Talvez seja arrogância falar isso. Tudo bem, é arrogância. Mas quer saber? Dane-se. Eu não vou nunca mais pedir desculpa pelas minhas qualidades, só pelos meus defeitos (o que, convenhamos, ocupa boa parte das minhas escassas horas de vida). E sugiro aos chatinhos de plantão que, em vez de se cutucarem no msn pra dizer “Ih, lá vem a Fal de novo”, pura e simplesmente parem todos, por favor, todos, de falar comigo e de, principalmente, ouvir o que eu tenho a dizer'.

Sem mais.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Continuação da novela

A tal idosa? Estava doente há DOIS dias antes das filhas exigirem minha presença. Só foi levanda à emergência do município no sábado. Isso prova que a enfermeira estava correta e eu também. Era um caso para internamento e não era uma emergência ('urgência' significa 'o mais brevemente possível', 'emergência' é 'IMEDIAMENTE'). A recém-nascida com 'possível pneumonia', a última que eu atendi naquele dia, estava mesmo com pneumonia e encontra-se internada num serviço de referência.

Na segunda-feira, fiquei sem enfermeira (que resolvia uma problemão de saúde na família) e claro que apareceu um menino com dor de ouvido às duas em ponto! Enquanto eu o atendia e orientava a mãe que quando isso acontecesse viesse mais cedo (elas terminam de fazer o almoço, arrumar a casa e, 'ah, o menino não melhorou, vou no posto'), chegou um casal com uma criança de braço que estava com febre desde a madrugada!!!! Eu avisei que atenderia porque não deixo ninguém com dor ou febre voltar sem atendimento, mas que nem deveria estar ali àquela hora (o motorista do carro está tão acostumado aos atrasos que era só eu naquele dia e ele só apareceu às quinze pras três). Pois o pai da criança disse que se eu estava ali era pra atender. Avisei que estava examinando outro paciente, que a técnica de enfermagem ia medicar logo a criança pra ir baixando a febre. Quando terminei a consulta, cadê o povo?

'A mãe disse que dipirona oral não baixa a febre da menina e foram embora', disse a técnica. OK, escrevi tudo isso na ficha e fui-me embora. A secretária de saúde havia conversado comigo nesta segunda-feira (de manhã cedo), concordado que a situação de sexta-feira precisava de solução e conseguiu alguém pra fazer meu transporte todas as sextas-feiras de agora por diante. O motorista regular só trabalha quatro dias, a enfermeira e a dentista vão comigo na sexta-feira mas pegam uma carona mais cedo, por isso eu fico (ou ficava)dependendo do ônibus dos estudantes.

Como eu argumentei, daquela vez não era uma emergência, mas se fosse, eu TERIA que ficar com o paciente. Nunca me omiti a socorrer alguém. Só me recuso a ser explorada.

Em tempo: peguei o livro de ponto e contei. Foram 13 horas extras em um mês. Tenha certeza, anônimo leitor, que eu quero essas horas. Se não vão me pagar (e não vão mesmo), eu tenho direito a duas folgas. E vou tirá-las. Posso aproveitar para ver Vicky antes que ela vá embora e eu fique aqui, curtindo CSI só com Grissom's Girl. À distância, bem entendido.

Sexta-feira, Maio 29, 2009

E-mail de Vicky (encaminhado para Fal)

Fal, Viviane (do 'Alta Fidelidade') mandou esse e-mail há alguns meses. Se você ainda não conhece, divirta-se. Eu destaquei (e comentei) as que se aplicam ao meu estado de espírito, trabalhando sempre contra o relógio e sendo cobrada por tudo e todos. Aliás, acabo de entender a fama da série: todos querem perder as estribeiras e não podem, por isso adoram o Jack.

Odessa


ENTRE NA CABEÇA DE JACK BAUER
DOIS ROTEIRISTAS DO SERIADO 24 HORAS REVELAM COMO FUNCIONA A MENTE DO AGENTE SECRETO MAIS CASCA-GROSSA DA TV

POR NICOLE RANADIVE E MATT MICHNOVETZ

:: Eu sou Jack Bauer, combato o terrorismo, vivo em Los Angeles.
:: Foda-se a diplomacia.
:: Ações falam mais alto que palavras. Gritos também são eficientes.
:: Se você atira no joelho da mulher de um cara, e mesmo assim ele não fala, ele é mau.
:: A vingança é o mais cruel dos truques. Vi isso acontecer aos outros, já fui vítima disso e até eu mesmo já fiz isso. Mas não muda nada, e não traz nenhum conforto.
:: A única coisa mais difícil do que correr para impedir um louco de soltar um vírus mortal que matará milhares de pessoas é fazer isso e, ao mesmo tempo, tentar injetar heroína no próprio braço.
:: Fui espancado, seqüestrado, envenenado por gás e levei tiros, mas a coisa mais aterradora que me aconteceu foi encarar minha filha depois de fazê-la acreditar que eu estava morto.
:: Eu como muitas bananas. Elas são uma ótima fonte de vitamina B e potássio. Também são fáceis de transportar.
:: Amor é um privilégio.
:: Se você tiver que confiar em alguém, que seja num gênio da computação esquisito.
:: Quando eu digo "merda", uma coisa ruim aconteceu, está prestes a acontecer, ou então vou tomar uma atitude drástica.
:: Qualquer homem pode errar. O que ele faz para consertar esse erro é que mostra seu caráter.
:: É melhor saber quem você é antes de se disfarçar. Se você não souber, pode se perder facilmente.
:: Tenha sempre pelo menos uma bateria de celular extra totalmente carregada.
:: Quantas vezes achei que o tempo tinha acabado, mas havia mais.
:: Quando interrogo um suspeito, sempre acho muito útil fazer as perguntas aos berros e repeti-las várias vezes.
:: Lembrem-se, terroristas usam o telefone tanto quanto nós.
:: No caso de precisar aterrissar numa rodovia, sempre aperte o cinto de segurança, coloque a poltrona na posição vertical e mantenha sua mesa fechada e travada.
:: Hoje em dia, tudo são chaves de carros e pen drives.
:: Se o presidente dos Estados Unidos mandar você atirar na cabeça de seu chefe a sangue-frio e à queimaroupa, respire fundo, peça perdão a Deus e o faça.
:: Sem consciência, um homem torna-se seu pior inimigo.
:: Às vezes, é necessário criar um estratagema crível, mesmo correndo o risco de os outros pensarem que você é um babaca.
:: Às vezes, um celular pode ser usado para ativar um detonador secundário no colete de um terrorista, independentemente de quantos minutos sobram no seu plano.
:: Terroristas mortos servem muito bem como escudos humanos. Terroristas vivos também.
:: Burocratas querem resultados, mas jamais querem sujar as mãos. (a maior verdade da lista e a mais compatível com nossa realidade)
:: A segurança das pessoas que eu amo vale qualquer sacrifício. Até o da confiança delas.
:: Algumas pessoas não merecem morrer, mas isso não é problema meu.
:: Sérvios têm palavras diferentes para tudo.
:: Se você não tiver uma arma Taser, os fios de uma lâmpada produzem a corrente necessária para dar um choque no seu alvo, forte o suficiente para ele abrir o bico sem ficar com danos permanentes.
:: Às vezes, você tem de fazer o errado pelas razões certas.
:: Você não pode salvar todo mundo. (meu preferido!)
:: Se você me vir correndo na rua, provavelmente é uma boa idéia se esconder.
:: Não irrite os chineses.

E-mails

Querida Grissom's Girl,
'Aquela' recém-nascida...

Está quase andando!

Lembra daquela criança que nasceu numa cesárea de urgência e que me tirou do retiro espiritual ('nunca mais eu exerço Medicina, etc')? Com uns 45 dias de nascida, teve coqueluche (eu diagnostiquei na criança e na mãe) e foi transferida para Recife. Eu não tive mais notícias. Coqueluche tem vacina (aplicada aos 2 meses de idade), mas as pessoas têm mania de ficar falando e beijando o recém-nascido, então eles pegam a doença ANTES de serem vacinados. Eu nem sabia se a criança tinha sobrevivido.

Um dia desses, a mãe ligou porque queria um atendimento para outra criança, filha de alguma amiga. Eu expliquei que ainda estou me recuperando de uma doença grave, falei que havia DOIS hospitais na cidade, que minha médica recomendou não atender casos de emergência, etc. A mãe entendeu (ou assim o disse) que em duas vezes eu fui contra as recomendações médicas e salvei a filha dela. Ofereci-me para orientar o plantonista, se ele não tiver experiência com neonatologia, mas soube dizer 'não' gentilmente. (lembra daquele texto 'A arte de dizer não'? Estou praticando).

Passando a limpo o bloco de notas que anda na minha bolsa, coloquei na primeira página: 'A vocation is NOT a life'. Isto é de Cincoflex, em 'Casa Caliente'. Aproveitei e escrevi: 'Sometimes it's not about getting ahead, it's about getting a life', enquanto não faço a tal placa pra colocar no consultório com essa frase, retirada de um trailer de um filme com Marg Helgenberger.

Neste e-mail, minha leitora percebeu e declarou:
Que chique! Nossa menininha está bem! Fico feliz por ela, pela família e por você tb, Dra. Odessa! Fico feliz tb por você estar aprendendo a deixar claros os seus limites. Quem sabe o desgaste que seu corpo e sua mente estão sofrendo, afinal das contas, é você!
Isso me deixa orgulhosa, sabia? Vc já não é mais Elizabeth do "E se fosse verdade?".


Respostinha enorme:
O problema, Grissom's Girl, é quando a família NÃO QUER entender que é impossível atender além do limite, fazer o trabalho de dois e usa de chantagem, piadinhas e ameaças veladas. Hoje, depois de explicar pela enésima vez que atendo menos pacientes na sexta-feira porque dependo do ônibus que leva os alunos do sítio para a cidade, que eu deveria ficar meia hora além do horário nos outros dias pra compensar esse acordo e estou ficando uma hora, a mulher disse 'Mas é minha mãe, uma senhora de noventa e tantos anos'. A enfermeira reinterou que o problema da idosa era um caso para o hospital e não para o posto, a mulher respondeu que 'Bom mesmo era que tivesse uma médica pra cada família'. Ao que eu respondi, olhando para os que esperavam atendimento: 'Então, minha gente, estudem, vai ser preciso muito médico pra tanta família'. A mulher se despediu, me abraçou, agradeceu a atenção e se foi.

Pois eu atendi todos os pacientes marcados, incluindo uma recém-nascida com possível pneumonia que encaminhei para a emergência. Eram 12:15h, a hora do ônibus. Quando eu saio da sala, com maleta, bolsa e o aviso pra recepcionista 'Fica de olho no ônibus que estou fazendo a produção', lá vem a irmã da mulher, 'E a minha mãe?'. Três horas depois da irmã ter ouvido que deveriam levar a idosa pra emergência. As pessoas não entendem que preencher papel é trabalho e que isso garante o dinheiro que mantém o posto. Eu expliquei (de novo), já preocupada com a hora, com o acúmulo de serviço, porque na última terça-feira ainda havia trabalho da quarta-feira anterior pra terminar (!) por causa de 'probleminhas' que surgem exatamente na hora que deveríamos estar saindo. Disse que não havia terminado ainda o serviço do dia e repassei a orientação da enfermeira, que tem experiência em plantão de emergência. A paciente nem mesmo estava na unidade de saúde, era pra fazer uma visita domiciliar. 'Eu arranjo um carro pra senhora voltar depois', foi a resposta, sem querer saber que eu tenho outros compromissos, incluindo com minha saúde. Eu terminei parte da produção (ela me atrapalhou tanto que eu comecei a confundir os números), saí atrasando o ônibus, ouvindo 'que se ela morrer...' e perdi a paciência: 'Se ela morrer, diga que a culpa é minha, mas há três horas que ela foi indicada pra uma emergência'.

É mais fácil transferir a responsabilidade para outra pessoa, simples assim. Ninguém quer reconhecer que tem fazer sua parte, cuidar do doente e procurar um médico regularmente pra evitar complicações. Deixam complicar pra pedir uma consulta. Dessa forma, eu ainda não pude conhecer todos os acamados e idosos da minha área, o que inclui essa paciente, que mora próximo ao posto. Fico presa por gente que aparece quando vê menos movimento depois do meio-dia e não entende que há menos pessoas porque eu passei a manhã trabalhando, que as pessoas que ainda estão esperando sairão de lá às duas da tarde, horário que eu deveria sair da unidade. Não querem saber que a 'produção' demora de quinze a vinte minutos pra ser feita, que médico tem que almoçar e que se eu perder a hora ali, perco minha condução pra casa. Meu trabalho é com PREVENÇÃO E PROMOÇÃO à saúde, não com emergências. O que deveria ser exceção é regra por causa do isolamento da unidade: gente com dor, com febre, passando mal e sendo socorrida ali mesmo porque não há como ir para a cidade.

(eu chego pontualmente, viu? O carro é que demora uma hora pra chegar ao posto, mas às oito em ponto eu estou à disposição da Secretaria de Saúde até duas da tarde, mas sempre saio entre duas e meia e três horas da unidade de saúde, como atesta meu livro de ponto)

No final das contas, eu disse 'não'. Atender mal e apressadamente não era a solução para o problema, a família não quis ouvir a orientação. A conduta é exatamente essa: a enfermeira faz a primeira visita domiciliar e decide se chama o médico. Geralmente, elas sabem o que fazer, mas há solicitações, prescrições e encaminhamentos que só um médico pode fazer. Hoje, estávamos sem recepcionista, que vem à tarde na sexta-feira, sem técnica de enfermagem, que dá plantão neste dia, a enfermeira também sai mais cedo neste dia e as agentes de saúde, que aparecem pra ajudar nesses casos, têm reunião na cidade em toda última sexta-feira do mês. Por isso, foi minha última sexta-feira na unidade. Já ficou resolvido que serão os dias de palestras para hipertensos e diabéticos. Enquanto isso não se organiza, vou dar palestras pelas escolas da vila para os adolescentes, pras crianças, pras professoras, mas não farei atendimento no posto. Palestras previnem doenças e suas complicações, ensinam como lidar com situações como diarréia, febre, hipoglicemia e, a longo prazo, dão mais retorno que educar um a um dentro do consultório. Esse sempre foi o objetivo do Programa de Saúde da Família: ensinar a pessoa a ser um cidadão responsável, com direitos e deveres.

Da mesma forma que quem mora perto do posto quer que o médico dali atenda emergências sem recursos para tal, outros vão direto ao hospital para 'não ter que pegar ficha no posto', sobrecarregando o plantonista. Muitas vezes, o médico está orientando sobre dieta para hipertensão no consultório da emergência, e alguém está infartando lá fora. A solução, repito, é educar a população e fazê-los entender que profissionais de saúde trabalham para cuidar dos outros, não para se matar de tanto trabalhar. Como eu li em 'Cazuza' , um de meus livros prediletos na infância: 'O direito de uma pessoa termina onde começa o de outra pessoa'.

Por e-mail.

O contrário do Amor

Martha Medeiros

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

Terça-feira, Maio 26, 2009

No meu tempo...

Você descobre que faz parte de uma geração quando encontra referências assim. Deixei de me 'sentir velha' e entendi que cada qual com suas lembranças. A maioria dos filmes da lista ocupa boas lembranças na minha mente e concordo com o autor: a 'Sessão da Tarde' nunca mais foi a mesma depois de 1989. Começaram a passar 'Top Gun' e esqueceram a fita cassete lá, repetiram vezes sem conta filmes bobos e esqueceram de trabalhos bons, cujos direitos pertenciam à emissora. Obrigada pela indicação, anônima leitora!

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Lembrei de ligar a TV!

Eu passo meses sem assistir o JN e logo a primeira notícia que William Bonner me dá a notícia de exercício ilegal da Medicina. O melhor das notícias com ele e Fátima é o modo como ele comenta os fatos, como se estivesse batendo papo com ela em casa, junto os trigêmeos. Ahá, você pensou que eu achava esse William mais uma carinha bonita? Ledo engano. Eu gosto do trabalho dele desde antes dele começar a namorar com Fátima. Isso faz tempo!

(Falando em Bonner, o que é que Fátima fez com esse homem, mô Deus? Está cada dia melhor! Eu nem vou me perguntar o que ele faz com ela. Quando eu crescer, quero metade daquela classe e conduta profissional.)

Quando adolescente, eu assistia três telejornais. Sabia de tudo sobre todos e quase nada sobre mim. Mantive-me atualizada durante todo o curso de Medicina, estudando e deixando de viver. Quando eu me formei, desliguei. Interessante: eu perdi tudo sobre o '11 de Setembro' e só um mês depois soube que o Pentágono foi atacado. Voltei a acompanhar as notícias e certa noite eu estava aos prantos por causa de reféns láááááá em Jerusalém! Foi quando entendi que precisava ver menos TV (eu só via os jornais e 'Arquivo X' mesmo).

Não me pergunte sobre o mundo no último ano. Vicky comentou em dezembro sobre os dez maiores escândalos de 2008. Eu só sabia de dois. Em compensação, o que eu escrevi e produzi nesse período valeu meu desligamento quase total (tá, eu ainda ligava a TV pra ver CSI). Sou a favor de um meio termo, mas sempre declarei que minha TV serve pra eu ver filmes. Aliás, a TV foi presente porque havia coisas mais importantes pra comprar na hora de montar uma casa inteira. Passei a me informar por agências de notícias e descobri CSI na internet. De vez em quando, eu pergunto pras pessoas, só de brincadeira: 'Ainda é William Bonner quem apresenta o JN?'.

Não era eu quem lembrava de ligar a TV, como você pode perceber, mas quem estava por perto: companheiro, família, o pessoal do plantão. Não sei, nem quero saber qual o nome da novela das seis, nem das sete. Nada contra novelas, mas descobri que minhas histórias são tão mais interessantes, que existem outras maneiras de rir além de 'Casseta e Planeta' e que as trilhas sonoras dos filmes são boas fontes de música. Deixa a Glória Perez se divertir com a cultura indiana (ela gosta de novelas temáticas), eu me divirto (e aprendo) de outros modos. Vou e venho na condução ouvindo sobre o que está acontecendo no lugar onde eu moro e trabalho, e vivo mais em paz.

Mas semana passada falaram da nova série do Dr. Dráuzio no 'Fantástico' (vou ali acessar o site da Globo e saber mais) e ainda há pouco vi que vai passar 'Cruzada' na 'Tela Quente'. Gostaria de ser como Fal, que trabalha com a TV ligada e comenta sobre o que passa. No meu caso, eu preciso me ouvir e só consigo se apenas um falar por vez. Melhor desligar a TV. William e Fátima entendem, tenho certeza.

Domingo, Maio 24, 2009

Ser leitora

Vi esse cartaz e adorei. Clique em cima para ver os detalhes do 'sanduíche'.



Poucas imagens descreveram tão bem um sentimento. A palavra 'bookworm' parece-me mais precisa que a equivalente 'traça', que é como apelidam gente como eu. Como bem disse Suzi:

Bibliotecas e livrarias me provocam uma sensação conflitante. Amo tudo: as cores, os cheiros, as formas, mexo no que posso, folheio, aliso e levo o que me é possível sempre que possível.
Mas sempre me angustio em saber que jamais lerei tudo. Por outro lado me agrada e conforta o fato do "tudo" estar por ali. Ao alcance das mãos e às vezes do bolso.


Há algum tempo, Vicky comentou sobre livrarias que ela conhece em Londres e outros lugares do mundo. Talvez por isso, 'O Leitor' tenha me tocado tão profundamente. Fernanda indicou-me o filme e eu encontrei o livro. Cada um mostra uma visão da mesma história. No filme, você briga com ele, no livro, fica reclamando dela. Em ambos existe uma cena em que a mulher entra num ambiente cheio de livros. A gente sente o olhar faminto da personagem e acho que foi esse momento que deu o Oscar a Kate Winslet. Eu me sinto exatamente do mesmo jeito quando entro na Livraria Cultura (que me foi 'apresentada' pela mesma Vicky).

(Eu estou muito melhorada! Era assim com qualquer livro, em qualquer biblioteca ou livraria. Deve ser alguma doença que ainda não nomearam, essa compulsão para ler. Veríssimo tem uma crônica sobre isso e revela que chegou a ir ao banheiro do hotel, no meio da noite, para ler 'quente' e 'frio', nas torneiras. Meu tratamento para isso é escrever e ler o máximo possível em outra língua, o que me obriga a ler com atenção e mais devagar. Eu 'pulo' as palavras, na sofreguidão de saber o final da história. Acabo relendo o mesmo livro vezes sem conta e rindo das mesmas piadas, me emocionando com os mesmos fatos)

Uma das minhas prediletas


Ora (direis) ouvir estrelas
Olavo Bilac

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.


Pra quem não conhece, 'Ouvir Estrelas' é a versão musicada desse texto, gravada pelo Kid Abelha. Como eu gosto de Paula Toller, sou suspeitíssima para dizer se ficou bom. Li essa poesia quando estudava Literatura na Escola e nunca a esqueci, apesar de não ser boa decorando nada: frases, textos, versos ou o que o paciente disse há dois dias. Por isso, escrevo tudo na ficha, no bloco de notas ou no computador. No meu tempo de estudante, eu sofria porque preciso entender e não apenas decorar. Então eu lembro da conversa e do paciente assim que leio a última consulta, noutras ocasiões sei quem escreveu sobre o quê, mas não as palavras exatas. Eu daria uma péssima testemunha auricular (se tem testemunha ocular, tem testemunha auricular, certo?).

(É impressionante acompanhar o crescimento profissional de um artista. 'Como eu quero' foi a primeira música que minha melhor amiga me ensinou. Eu tinha uns seis ou sete anos. Eis-me com 33 e eis Paula Toller após ter estudado ópera. Tem algo naquela voz e naquelas letras que me toca)

Como Prince Cristal postou essa também, resolvi usar a mesma imagem, mas veio lá do blog dele.

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Perceberam, foi?

80% DOS MÉDICOS DO PSF TEM CONTRATOS PRECÁRIOS
Durante audiência pública sobre Precarização do Trabalho Médico, o conselheiro do Conselho Federal de Medicina (CFM), Geraldo Guedes, chamou a atenção que 80% dos médicos que trabalham no Programa de Saúde da Família (PSF) tem contratos precários. O médico também disse que dentre dois milhões de trabalhadores da saúde, 800 mil tem trabalhos precários. “O que acaba gerando grande rotatividade e falta dos trabalhadores. Os médicos precisam de uma Carreira de Estado e um Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos, além de um salário digno e a implementação da CBHPM no SUS”, disse Geraldo Guedes. Dados referendados pelo coordenador de gestão de trabalho em saúde do Ministério da Saúde, Henrique Vitalino. O evento, promovido pela Comissão de Trabalho, de Administração e de Serviço Público (CTASP), da Câmara dos Deputados, aconteceu nesta quinta-feira, dia 14 de maio. O requerimento foi do deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), que acredita que o cenário brasileiro, desfavorável aos médicos, tem se refletido na sociedade por meio da baixa qualidade do atendimento prestado aos usuários dos serviços de saúde. Fonte:CFM. (15/05/09)

AUDIÊNCIA PÚBLICA DEBATE PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO MÉDICOS
Eleuses Paiva, ex-presidente da AMB e recém-empossado deputado federal, e Florentino Cardoso, diretor de Saúde Médica, assistiram à audiência pública realizada pela Câmara dos Deputados sobre precarização do trabalho médico (vínculo empregatício informal). O encontro foi promovido pela Comissão de Trabalho, de Administração e de Serviço Público (CTASP) e aconteceu na quinta-feira, 14 de maio. O requerimento foi feito pelo deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), que acredita que o cenário brasileiro, desfavorável aos médicos, tem se refletido na sociedade por meio da baixa qualidade do atendimento prestado aos usuários dos serviços de saúde. Fonte: CFM. (15/05/09)


Sinceramente: eu devo ser mesmo adiante dos outros. Desde que me formei que falo nisso. Há oito anos, anônimo leitor, oito anos!

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Everybody Hurts

(Berry/Buck/Mills/Stipe)

When your day is long and the night, the night is yours alone,
When you're sure you've had enough of this life, well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries n everybody hurts sometimes

Sometimes everything is wrong. Now it's time to sing along
When your day is night alone, (hold on, hold on)
If you feel like letting go, (hold on)
If you think you've had too much of this life, well hang on

'Cause everybody hurts. Take comfort in your friends
Everybody hurts. Don't throw your hand. Oh, no. Don't throw your hand
If you feel like you're alone, no, no, no, you are not alone

If you're on your own in this life, the days and nights are long,
When you think you've had too much of this life to hang on

Well, everybody hurts sometimes,
Everybody hurts. You are not alone
Everybody cries. And everybody hurts sometimes
And everybody hurts sometimes. So, hold on, hold on
Hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on


Nem só de música agitada vive R.E.M., nem só de cenas sugestivas e sensuais vive Vettriano, e sim: eu preciso viver um dia de cada vez.



'A Fishergil, by Jack Vettriano (signed Hoggan)'

Quinta-feira, Maio 14, 2009

Dor de Cabeça e Depressão

Esse artigo do Dr. Alessandro Loiola sobre cefaléia tensional está excelente. Eu indico e acrescento:

Nome elegante pra 'dor de cabeça por causa de aperreio', a cefaléia tensional tem uma variante: a cefaléia de alta tensão. Insuportável e incapacitante. É interessante notar que pacientes poliqueixosos (múltiplas queixas importantes numa mesma consulta, que 'vivem no consultório médico') geralmente se queixam de alguma dor recorrente, que já foi investigada por mais de um médico, medicada com diversos fármacos, sem resolução ou alívio efetivo. Dessas dores, a cefaléia é a mais comum.

Na verdade, dor de cabeça não é uma doença, mas um sintoma, um aviso que algo não está certo (mesmo que seja só por ter passado da hora de comer) e eu conheço pelo menos duas pessoas próximas que sofrem de cefaléia (ambas 'têm enxaqueca' diariamente) há mais de uma década. Nenhuma das duas pessoas aceita que a causa está relacionada... a depressão!

Anônimo leitor, viver com dor de cabeça, dor nas costas, dores no corpo que os médicos não descobrem o que é e que não resolvem pode ser um sintoma de depressão. A população (e parte da classe médica) ainda associa depressão com gente triste e chorosa. Eu não sei qual a definição mais atual, mas como profissional e paciente, declaro: uma pessoa com depressão é alguém cuja qualidade de vida é insatisfatória porque todas (ou a maioria de) suas atividades diárias não causa prazer e/ou causa algum grau de desconforto, levando a crises de tristeza, ansiedade E/OU irritabilidade importantes. É alguém sem alegria de viver e que não acredita mesmo que há solução pra isso, porque acha que já tentou de tudo ou que sua personalidade é aquela e pronto.

Quando eu era estudante de Psiquiatria (isso já faz uma década), aprendi assim:
- existe depressão reativa a uma situação específica (luto, empobrecimento ou enriquecimento súbito, diagnóstico de uma doença grave,perda de emprego, aposentadoria, depressão pós-parto, etc),
- existem doenças que têm depressão como sintoma (dizemos o paciente tem 'sintomas depressivos' no hipotiroidismo, por exemplo, e não que o diagnóstico é 'ele tem depressão e hipotiroidismo'. Isso inclui as doenças psiquiátricas, como Psicose maníaco-depressiva. O paciente é maníaco-depressivo, bipolar ou como quer que chamem agora, mas ele não é 'depressivo' ou 'tem depressão'. É outra doença),
- existe a verdadeira depressão (que é mais comum em mulheres, geralmente há mais de um caso na família, é relacionada à deficiência de serotonina, etc).

A cada vez que converso com minha ex-professora de psiquiatria, tem tanta novidade sobre depressão que dá vontade de voltar pra faculdade e estudar tudo de novo, por isso devem ter mudado a classificação, mas o que importa é: depois que depressão tornou-se uma doença conhecida (graças ao PROZAC, primeira medicação efetiva, os pacientes foram melhorando e comentando com outras pessoas o que era depressão e que tinha tratamento), muitos médicos não têm como alegar que não sabem o que é isso e quais os sintomas!

Ocasionalmente eu recebo um(a) paciente no PSF cuja ficha mostra diversas consultas anteriores com os médicos que me precederam no serviço. A pessoa tem dor de cabeça (habitualmente os 'colegas' nem descrevem as características da dor, vão logo escrevendo 'Enxaqueca. Conduta: Neosaldina' ou algo semelhante), não dorme bem, tem umas dores imprecisas pelo corpo, é conhecida na família como 'chata', 'briguenta', 'reclamona', 'exigente' e briga até com as paredes ('ranzinza' não é preciso o suficiente pra um paciente com depressão descompensada). Ele/a não vive chorando, nem pensando em se matar, então os médicos não pensam em depressão.

E assim, essas pessoas vivem tomando analgésicos (há estudos sugerindo que mesmo dipirona e paracetamol causam dependência química), brigando com todo mundo e sendo evitadas pelos outros 'porque ninguém aguenta fulano/a', infelizes e tornando os outros infelizes, acordando para mais um dia de uma vida difícil e carregando um peso desnecessário. Causa-me uma satisfação impossível de descrever quando uma dessas pessoas volta e me diz que a medicação que eu prescrevi está ajudando, que a dor passou ou diminuiu, que o casamento melhorou, etc. O problema é quando a pessoa descobre que precisa usar a medicação todos os dias. Como na diabetes, hipertensão arterial ou hipotiroidismo, o tratamento da verdadeira depressão é contínuo e inclui outras medidas além da medicação, e nem todos aceitam essa mudança de vida.

A propósito:

'Just Another Day, de Jack Vettriano'

Da Fal

"Quando uma pessoa de bem não se choca com canalhice, é hora de rever o termo pessoa de bem. Porque canalhice é canalhice, leitorzinho matreiro, não se iluda jamais".

Anônimo, eu já contei sobre essa última semana? Melhor não. Lendo o 'Drops da Fal' percebo que não fui a única ultimamente com dias bons de se esquecer. Eu já disse que amo a Fal?

Tá, eu já disse. E daí? Ela está coberta de razão quando diz que a convivência rotineira com o leitor/fã destrói o mito do ídolo (ela não diz com essas palavras, mas diz). E, como Silvana comentou com ela, raramente a gente 'descobre que o ídolo é como a gente imagina ou ainda melhor' (por isso, Silvana não quer conhecer Meryl Streep ou Clint Eastwood jamais). Concordo! Melhor eu com minhas ilusões que eu completamente sozinha.

(Falando nisso, indico ou não indico a nona temporada de CSI pra Fal? Será que isso entra na classificação de 'convivência rotineira'? É no que dá ter uma família de coração: conflitos virtuais)

***

Ah, presentinho da Suzi, que conheci por causa da Fal, claro.


'Rosas do Jardim de Suzi'

Ela mesma quem plantou. Que mão artística, anônimo leitor, que mão!